
A indústria brasileira de calçados está sendo espremida pelos dois lados ao mesmo tempo: de fora, pelas tarifas do governo Trump; de dentro, pelo fim da chamada taxa das blusinhas. Os dados são da Abicalçados, associação que representa o setor, com base no Ministério da Indústria.
Em julho, pela primeira vez na história, o Brasil importou mais calçados do que exportou. As importações somaram US$ 66 milhões, enquanto as exportações ficaram em US$ 62,4 milhões. Em junho, o setor fechou 1.740 postos de trabalho. O total de empregos diretos caiu para 272.400, uma redução de 4,2% em relação a junho de 2024.
No mercado externo, o maior comprador dos calçados brasileiros são os Estados Unidos. Em julho, o governo de Donald Trump, do Partido Republicano, impôs uma taxa adicional de 37,5% sobre produtos brasileiros, tornando os calçados do Brasil mais caros e menos competitivos para o consumidor americano.
Dentro do país, o risco vem do fim da taxa das blusinhas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, assinou em 12 de maio uma medida provisória que zerou o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Essa tributação havia sido criada em 2024 e, segundo a Abicalçados, ajudava a preservar empregos, a arrecadação do governo e a concorrência justa entre produtos nacionais e importados.
A entidade afirma ainda que a retirada do imposto pela medida provisória pode ser uma violação aos princípios de isonomia tributária, livre concorrência e proteção ao mercado interno. As estimativas da Abicalçados apontam que a isenção compromete 53.900 postos de trabalho no total: 18.700 empregos diretos na fabricação de calçados, 13.200 empregos indiretos na cadeia produtiva e mais 22.000 pelo chamado efeito-renda.
Fonte: Poder360




