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Notícias/TECNOLOGIA23/08/2026· KF News

Pesquisadores do Ital transformam grão de feijão carioca em proteína para uso na indústria alimentícia

Pesquisadores da PBIS (Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis), sediada no Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos), em Campinas (SP), desenvolveram uma proteína concentrada feita a partir das "bandinhas" — os grãos quebrados de feijão carioca que sobram durante o beneficiamento da leguminosa. A proposta é dar valor a esse subproduto e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência da indústria alimentícia brasileira de proteínas vegetais importadas, como as de soja e ervilha.

O Brasil é o 2º maior produtor mundial de feijão, e a variedade carioca representa cerca de 54% de uma produção anual de 3 milhões de toneladas. O beneficiamento gera entre 1% e 5% de grãos partidos, que perdem valor comercial. "Tivemos a ideia de agregar valor a esse coproduto", explicou a pesquisadora Isabela Emiliorelli.

O processo adotado é o fracionamento a seco, mais sustentável por não usar solventes e consumir menos água e energia. O feijão é moído e separado em duas frações: uma rica em amido e outra proteica, com concentração de 40% a 50% de proteína. O ingrediente contém todos os aminoácidos essenciais, sem precisar ser complementado com proteína de cereal. O pré-tratamento térmico reduziu em até 95% os compostos que dificultam a digestão, e deixou o ingrediente com sabor neutro e coloração clara.

Entre as aplicações já desenvolvidas estão um cappuccino sem açúcar com 5g de proteína por porção, bebidas vegetais fermentadas com manga e maracujá, e salgadinhos tipo snack. A tecnologia já está sendo testada em escala industrial pela SL Alimentos, parceira do projeto. A PBIS foi criada em 2021 com apoio da Fapesp e reúne o Ital, a USP, a Unicamp e 9 empresas do setor alimentício.

Fonte: Poder360