
O especialista em petróleo e gás Pedro Rodrigues, sócio do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), afirma que o preço elevado do gás natural no Brasil é resultado da falta de concorrência no mercado, e não de limitações geológicas ou de oferta. A análise foi feita no 175º episódio do programa Infra em 1 Minuto, produzido pelo Poder360 em parceria com o CBIE e publicado no YouTube em 15 de agosto de 2026.
Rodrigues parte do balanço da Petrobras, que registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no 2º trimestre de 2026, para fazer um diagnóstico da indústria brasileira de gás. Durante a apresentação dos resultados, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, comentou sobre o gas release — programa criado para reduzir a concentração do mercado de gás natural — e declarou: "Não somos uma ONG, somos uma empresa, e empresa tem que dar lucro."
O especialista concorda com a afirmação, mas pondera que, em mercados tradicionais, o lucro vem da disputa por clientes. Sem concorrência, quem perde é o consumidor, que fica sem alternativas.
Para ilustrar o argumento, Rodrigues cita o exemplo do Nordeste. Entre 2019 e 2021, a diferença de preço do gás natural entre as regiões Nordeste e Sudeste era de apenas 0,5%. Após a entrada de fornecedores alternativos, os preços no Nordeste caíram e chegaram a ficar 22% abaixo dos cobrados no Sudeste.
Rodrigues também rebate o argumento de que o gas release seria inútil por não ampliar fisicamente a oferta do insumo: "O que ele produz não é gás. É concorrência. E concorrência aparece no preço." A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) é responsável por elaborar a proposta regulatória do programa e pretende abrir uma consulta pública entre outubro e novembro de 2026, conforme comunicado publicado em junho. Para o especialista, a solução depende de decisões regulatórias: "Gás caro no Brasil não é problema de geologia. É desenho de mercado. E desenho de mercado é escolha."
Fonte: Poder360




