
Centenas de imigrantes marroquinos protestaram neste domingo (16 de agosto de 2026) na praia de El Trampolin, em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, pedindo asilo às autoridades da Espanha. Os manifestantes fazem parte de um grupo de 5 mil a 8 mil pessoas que permaneceram no território após uma travessia em massa realizada duas semanas antes. No total, mais de 72 mil pessoas cruzaram a fronteira em poucos dias — número próximo aos 80 mil habitantes que Ceuta possui.
A grande maioria dos que entraram retornou voluntariamente nos dias seguintes. Quem ficou vive em condições precárias na praia ou nos arredores da cidade, à espera de uma chance de seguir para a Europa continental. Durante o protesto, os manifestantes exibiam bandeiras espanholas e faixas com os dizeres "Não queremos voltar para Marrocos" e "Também somos humanos". Palavras de ordem como "Estamos cansados" e "Precisamos de uma solução" ecoavam na praia. Nas margens rochosas ao fundo, alguns imigrantes lavavam roupas enquanto outros pescavam com varas de bambu improvisadas.
Segundo informações da Reuters, a maioria dos imigrantes marroquinos entrevistados disse ter deixado o país por causa das más condições de trabalho, mesmo tendo qualificações superiores.
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, declarou que os imigrantes que entraram de forma irregular não terão permissão para ficar em Ceuta, viajar para a Espanha continental ou obter status legal. A exceção se aplicaria apenas a casos raros de extrema vulnerabilidade. O chefe do conselho médico de Ceuta, Enrique Roviralta, afirmou à rádio Onda Cero que os profissionais de saúde estão exaustos, criticou a resposta do governo central e alertou para o surgimento de doenças como diarreia infecciosa e sarna, além de lesões por violência, como narizes quebrados e ferimentos por arma branca. A ministra da Saúde, Monica Garcia, esteve em Ceuta no domingo, rejeitou a avaliação de colapso dos serviços locais, mas reconheceu que estão sob pressão. Ela classificou o risco de surtos como moderado para os imigrantes e baixo para os residentes, e afirmou que "associar a imigração a doenças é injusto e xenófobo".
Fonte: Poder360




