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Notícias/SAÚDE10/08/2026· KF News

Uso de telas antes dos 2 anos pode atrasar a fala e prejudicar o desenvolvimento infantil

A exposição de bebês às telas antes dos 2 anos pode atrasar o desenvolvimento da fala, segundo especialistas. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda zero tela antes dos 2 anos. Entre 2 e 5 anos, o limite é de até uma hora por dia, e entre 6 e 10 anos, até duas horas diárias. Mas a realidade brasileira vai na direção oposta. Uma pesquisa da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal em parceria com o Datafolha revelou que crianças de 0 a 2 anos ficam em média duas horas por dia usando telas, e que 78% das crianças de até 3 anos são expostas a telas todos os dias.

A médica Sulene Pirana, otorrinolaringologista, foniatra e vice-presidente do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo, explica que a fala se desenvolve no vai e vem da comunicação: o bebê balbucia, o adulto responde, espera a reação da criança e atribui significado ao que ela tenta dizer. A tela, na grande maioria das vezes, não devolve essa troca. Mesmo conteúdos educativos costumam ser de mão única: a criança recebe estímulos, mas ninguém espera a resposta dela.

Ter TV ou celular ligados no mesmo ambiente também é prejudicial, mesmo que a criança não esteja assistindo diretamente, porque distrai o adulto e reduz a quantidade e a qualidade das palavras que ele fala com o bebê. A única exceção aceita são videochamadas com familiares, onde existe interação real em tempo real.

A fonoaudióloga e musicista Cintya Soares aponta a música cantada junto com a criança como uma aliada importante: ela traz vocabulário, ritmo, pausa, entonação e interação, tudo o que a fala também usa. A repetição das músicas infantis ajuda o cérebro a assimilar e consolidar vocabulário. Além da música, conversar bastante desde cedo, ler livros, brincar com outras crianças e esperar a resposta do bebê também estimulam o desenvolvimento da fala. Pirana reforça que um episódio esporádico de tela não é motivo de preocupação. O que conta é o padrão geral da rotina ao longo das semanas.

Fonte: Drauzio Varella