
O governo federal prevê elevar o salário mínimo de R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027, um reajuste de 7,4%, o que representa R$ 120 a mais para trabalhadores e beneficiários de programas sociais. Apesar do benefício direto na renda da população, economistas ouvidos pelo Poder360 alertam que a alta vai pressionar as contas públicas. A estimativa é que o aumento gere R$ 49,6 bilhões em despesas primárias adicionais para a União. Esse cálculo tem base no PLDO de 2027, apresentado em abril, que projeta que cada R$ 1 de aumento no mínimo resulta em R$ 413,2 milhões em gastos extras. A projeção foi elaborada pelas Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado. A pressão nas contas acontece porque uma parcela importante dos benefícios previdenciários e de programas sociais usa o salário mínimo como piso. Quando o mínimo sobe, essas despesas sobem junto. Para reduzir esse impacto, o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman sugere corrigir o mínimo apenas pela inflação, sem ganho real — o que, segundo ele, seria juridicamente mais simples do que desvincular os benefícios do salário mínimo. Já o professor de economia da UnB Roberto Piscitelli defende os reajustes reais, afirmando que os salários no Brasil são tão baixos que pequenos aumentos são essenciais para evitar que as pessoas caiam ou permaneçam na pobreza. Piscitelli também alerta que desvincular os benefícios previdenciários do mínimo poderia fazer com que aposentados e beneficiários perdessem poder de compra ao longo do tempo, transformando gradualmente em pobres pessoas que conquistaram alguma ascensão social. Dois terços dos beneficiários da Previdência recebem exatamente o salário mínimo. A dívida bruta do Brasil atingiu 81,9% do PIB em junho, o nível mais alto desde a pandemia.
Fonte: Poder360




