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Notícias/SAÚDE29/08/2026· KF News

Pesquisadores da USP criam vacina inteligente contra chikungunya que só se replica uma vez no organismo

Pesquisadores da Universidade de São Paulo, em parceria com a Universidade de Bonn, na Alemanha, desenvolveram uma estratégia inovadora para produção de vacinas. O estudo foi publicado na revista científica npj Vaccines e apresenta um imunizante feito a partir de uma versão geneticamente modificada do vírus chikungunya.

A principal característica dessa vacina é que o vírus utilizado só consegue se replicar uma vez dentro do organismo. Esse único ciclo é suficiente para treinar o sistema imune a produzir anticorpos, sem apresentar risco de causar a doença.

Nos testes iniciais feitos em camundongos, uma única dose da formulação foi capaz de proteger os animais. Além disso, os roedores vacinados mostraram capacidade de neutralizar também o vírus mayaro, sugerindo um potencial protetor mais amplo.

O pesquisador Danillo Lucas Alves Esposito, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) e primeiro autor do estudo, explica que o vírus da vacina entra na célula e ativa o sistema imune, mas é fisicamente incapaz de se tornar infeccioso. Por isso, o vacinado não apresenta sintomas nem corre risco de desenvolver a doença — o que abre espaço para o uso também por idosos e pessoas imunossuprimidas, grupos que hoje enfrentam restrições com a vacina de vírus atenuado aprovada pelo FDA, agência norte-americana que regula medicamentos.

Para conseguir esse efeito, os cientistas modificaram o genoma do vírus, substituindo o ponto de ação de uma enzima humana chamada furina — responsável por permitir que o vírus complete sua maturação e se torne infeccioso — por uma sequência reconhecida por uma enzima do vírus da corrosão do tabaco, ausente em humanos e mosquitos. Assim, após a primeira replicação controlada, todos os vírus produzidos já nascem imaturos e incapazes de infectar outras células, funcionando apenas como modelo para o sistema imune.

A pesquisa recebeu apoio da Fapesp por meio de três projetos e foi conduzida em parceria com a equipe alemã. O grupo pretende avançar com testes clínicos da vacina contra o chikungunya e adaptar a plataforma para outros vírus, como zika, febre amarela e variantes do SARS-CoV-2.

Fonte: Poder360