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Notícias/AGRONEGÓCIO31/08/2026· KF News

Preço do milho sobe quase 6% em agosto no Brasil enquanto Chicago recua após altas recentes

O preço do milho acumula valorização de 5,8% em agosto no Brasil. O dado é do Indicador ESALQ/BM&FBovespa da região de Campinas (SP), levantado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea, até o dia 27 do mês. A alta acontece mesmo com a colheita da segunda safra em fase final e estimativas de produção recorde. O motivo é a oferta menor no curto prazo: produtores estão segurando as vendas à espera de preços mais altos, e os compradores que precisam de entrega imediata acabam pagando mais caro.

Na B3, os contratos futuros fecharam a semana em alta. O vencimento de setembro de 2026 encerrou a R$ 71,50 por saca, novembro fechou a R$ 77,90 e janeiro de 2027 a R$ 81. No acumulado semanal, o milho valorizou 5,89% em Chicago, 1,88% em Paris e 0,92% na Argentina. O dólar subiu 1% no período, e o mercado físico brasileiro registrou alta média de 2,37%, segundo dados da TF Agroeconômica.

Apesar dos ganhos na semana, os contratos em Chicago abriram em queda nesta segunda-feira (31). O contrato de setembro de 2026 era negociado a US$ 5,09 por bushel, com queda de 3 pontos. Dezembro recuava para US$ 5,32 e março de 2027 para US$ 5,46. A pressão veio do trigo, que realizou lucros depois de alcançar o maior patamar em três anos. O cereal havia disparado após a região de Rostov, na Rússia, declarar estado de emergência em meio a ataques contra portos, navios e estruturas de transporte de grãos. Os conflitos entre Rússia e Ucrânia voltaram a aumentar a preocupação com a oferta na região do Mar Negro.

No Rio Grande do Sul, as indicações variam entre R$ 58 e R$ 65 por saca, com média estadual de R$ 60,23, alta de 1,53% segundo a Emater. No Paraná, a colheita da segunda safra chegou a 83% da área e o preço ao produtor fechou a semana em R$ 56,79 por saca, com alta de 7,8% em relação a julho e de 11% na comparação com agosto de 2025. Em Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 50 e R$ 55 por saca, com suporte da demanda das usinas de etanol de milho.

Santa Catarina enfrenta déficit estrutural: consome cerca de 8,5 milhões de toneladas por ano, mas produziu apenas 2,67 milhões na safra 2025/26, gerando um déficit de quase 6 milhões de toneladas e mantendo o Estado dependente de compras de outros estados e países.

A TF Agroeconômica orienta produtores a comercializar parte do estoque disponível agora, preservando uma parcela para eventual continuidade da alta. Para a produção futura, a recomendação é fixar inicialmente 30% do volume via hedge na B3, proteger outros 30% em caso de novas altas e manter o restante em aberto. Para cooperativas e cerealistas, a orientação é realizar vendas graduais e calcular a margem de carregamento antes de fechar operações, considerando preço físico, cotação futura, frete e armazenagem.

Fonte: Portal Agroneg.