
Durante a amamentação, o corpo da mulher passa por mudanças intensas. A produção de leite, a ação hormonal e o aumento da vascularização das mamas podem provocar o surgimento de caroços, áreas endurecidas e desconforto. Para muitas mães, especialmente as de primeira viagem, essas alterações geram medo de algo mais grave, como o câncer de mama. Na maioria dos casos, porém, os nódulos que aparecem nesse período são benignos.
A radiologista Andreia Brandão, do Núcleo de Mama do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro, explica que o motivo mais frequente é o leite empedrado, chamado de ingurgitamento, ou a obstrução de um ducto. Também são comuns as galactoceles, que são cistos preenchidos por leite, e a mastite, que é uma inflamação. Fibroadenomas, nódulos benignos já existentes, podem crescer nesse período por influência hormonal.
Para identificar um sinal de alerta, o ideal é observar o comportamento do nódulo ao longo do dia. Nódulos benignos tendem a amolecer, diminuir de tamanho ou sumir depois que a mama é esvaziada, e costumam doer. Já os que permanecem duros, não diminuem após a amamentação e não causam dor merecem investigação. Retração da pele ou do mamilo e saída de secreção transparente ou com sangue também são sinais preocupantes, segundo o mastologista Alexandre Pupo Nogueira, do Hospital Sírio Libanês. Ele alerta ainda para caroços na axila, sem dor e com pouca mobilidade, que podem indicar comprometimento dos gânglios. Formas mais raras incluem o carcinoma inflamatório, que deixa a mama vermelha e endurecida sem dor ou febre, e a doença de Paget, que aparece como uma ferida na aréola que não cicatriza.
A investigação pode ser feita sem interromper o aleitamento. A ultrassonografia é o primeiro exame indicado por não usar radiação. A mamografia também é segura, e a orientação é amamentar ou retirar o leite antes para melhorar a qualidade da imagem. O Instituto Nacional de Câncer estima 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028. A amamentação, por outro lado, tem efeito protetor: dados do Ministério da Saúde indicam que, a cada 12 meses de aleitamento ao longo da vida, o risco da doença pode cair entre 4,3% e 6%.
Fonte: Metropoles




