
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que o salário de um ministro da Corte não representa riqueza. Na avaliação dele, a remuneração coloca o magistrado numa "classe B" — acima da média dos brasileiros, mas longe de quem não precisa se preocupar com dinheiro. "Não é uma vida nababesca. É uma classe privilegiada, mas não é uma classe que não tem que se preocupar com as contas no fim do mês", disse o ministro. A declaração foi feita durante o 5º Seminário da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado na última sexta-feira (21), na Universidade Presbiteriana Mackenzie. O salário bruto mensal de um ministro do STF é de R$ 46.366,19, valor que serve de teto para o serviço público no Brasil. Na prática, porém, o valor líquido é bem menor, por causa de descontos como Imposto de Renda e contribuição previdenciária. De acordo com o Portal da Transparência do STF, o próprio Mendonça recebeu uma média de R$ 26 mil líquidos por mês entre janeiro e julho deste ano. O maior valor foi em janeiro, com R$ 43 mil líquidos. Os menores foram em abril e maio, quando recebeu R$ 18,8 mil líquidos em cada mês. A fala ocorre em meio a um debate sobre a remuneração de juízes e magistrados no país. O STF chegou a tentar limitar o pagamento dos chamados "penduricalhos" — benefícios extras que fazem o salário ultrapassar o teto constitucional, podendo chegar a cerca de R$ 75 mil mensais. A CNN, no entanto, mostrou que tribunais regionais vêm descumprindo essa regra, com registros de pagamentos superiores a R$ 1 milhão em um único mês. Na segunda-feira (24), o STF e tribunais superiores também criaram uma nova gratificação para assessores de ministros, chamada de Gratificação por Atuação de Alta Complexidade Técnica e Administrativa, que pode ampliar em até 22,5% a remuneração desses servidores. O benefício não se aplica aos ministros.
Fonte: CNN




