
O mercado de trigo no Sul do Brasil segue com pouca movimentação, oferta restrita e negócios fechados apenas para atender necessidades imediatas. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná têm dinâmicas diferentes, mas todos enfrentam o mesmo cenário: pouco grão disponível e compradores seletivos.
No Rio Grande do Sul, os negócios foram fechados entre R$ 1.500 e R$ 1.550 por tonelada na modalidade CIF moinho. A escassez de trigo com as características certas para moagem sustenta os preços nesse nível. No mercado FOB, produtores pedem cerca de R$ 1.350 por tonelada, enquanto compradores sinalizam até R$ 1.320 — essa diferença limita os fechamentos. O estado tem apenas 100 mil toneladas disponíveis, contra uma necessidade de cerca de 300 mil toneladas até a chegada da nova safra. Como alternativa, o trigo importado pela Cargill é ofertado a US$ 289 por tonelada em Rio Grande e a US$ 300 por tonelada em Canoas. No mercado de Panambi, o preço de balcão está em R$ 69 por saca. Os moinhos gaúchos já cobriram o abastecimento até 30 de setembro. Para a nova safra, cerca de 60 mil toneladas já foram comercializadas, com compradores indicando R$ 1.400 por tonelada FOB para entrega em dezembro, mas os vendedores não demonstraram interesse suficiente nesse preço.
Em Santa Catarina, o mercado está em ritmo lento. A baixa moagem e o abastecimento prévio das indústrias reduzem a necessidade de novas compras. O trigo para pão é negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400, e houve registro de operação com trigo branqueador a R$ 1.500 por tonelada FOB. No Paraná, os moinhos aceleraram as reposições no fim do mês, com o trigo da safra anterior sendo negociado ao redor de R$ 1.500 por tonelada CIF. Para a nova safra, as ofertas começam em cerca de R$ 1.450 por tonelada FOB. A expectativa com os efeitos do El Niño reforça a cautela dos produtores paranaenses, que evitam ampliar a comercialização antecipada sem mais clareza sobre a qualidade e a produtividade da safra.
Fonte: Portal Agroneg.




