
Três pesquisas encomendadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, mostram que a violência e a sensação de insegurança interferem diretamente no orçamento das famílias, na rotina de trabalho, nos investimentos das empresas e na competitividade do Brasil. Os estudos foram apresentados durante o Congresso Fiesp de Segurança Pública, nesta segunda-feira, dia 31, na sede da entidade, em São Paulo.
A pesquisa "Percepção Nacional de Segurança Pública" ouviu 2.411 pessoas em 658 municípios das 27 unidades da federação. O resultado mostra que 84% dos brasileiros afirmam que a insegurança retira dinheiro do orçamento familiar. Quase oito em cada dez entrevistados tiveram algum custo financeiro relacionado à segurança nos últimos 12 meses. Uma em cada quatro pessoas já deixou de aceitar uma oportunidade de trabalho por medo da criminalidade. Além disso, 60% dizem que suas atividades profissionais são prejudicadas pela presença de facções, milícias ou organizações criminosas. Cinquenta e um por cento deixaram de comprar algum produto por receio de golpes ligados ao mercado ilegal.
Entre as empresas, uma pesquisa com 285 indústrias de transformação de São Paulo revelou que quatro em cada dez foram vítimas de algum crime no último ano. Os crimes virtuais dobraram desde 2023. Uma em cada quatro empresas deixou de investir ou expandir os negócios por causa da violência. Noventa e oito por cento das indústrias foram obrigadas a gastar com segurança privada, seguros ou monitoramento. Para 70% das empresas, a criminalidade prejudica diretamente a competitividade brasileira no mercado internacional. Metade das indústrias que sofreram crimes não chegou a registrar boletim de ocorrência, por considerar que o procedimento não seria eficaz.
Uma terceira pesquisa, feita pelo economista Pery Francisco Assis Shikida com 389 pessoas presas em unidades prisionais de São Paulo, mostrou que apenas 6,2% entraram para o crime por necessidade financeira real. Para 46%, o crime organizado chega a desempenhar funções que deveriam ser do Estado. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, defende que enfrentar o crime é fundamental para preservar empregos, atrair investimentos e garantir o desenvolvimento econômico do Brasil.
Fonte: Jovem Pan




