
O governo brasileiro reagiu com irritação depois que uma autoridade dos Estados Unidos acusou o Brasil de censura. A subsecretária de Estado para Diplomacia Pública dos EUA, Sarah B. Rogers, disse que mudanças anunciadas pelo X para cumprir a legislação eleitoral brasileira "marcam a censura imposta pelo Brasil".
Fontes do governo Lula foram na contramão. Um interlocutor disse que os EUA estão analisando as contas de redes sociais de jornalistas estrangeiros para condicionar a concessão de vistos às posições ideológicas desses profissionais. "Os EUA não podem ser juízes de ninguém", afirmou. A mesma fonte apontou que o governo Trump "carece de credibilidade", lembrando que os americanos pressionaram para que o Brasil encerrasse os processos contra Bolsonaro e os envolvidos na tentativa de golpe.
Em 2025, o governo Trump já havia aplicado sanções da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de promover censura e perseguições políticas. Agora, segundo apuração do Financial Times, os EUA discutem aplicar novas sanções a Moraes. O assunto voltou à tona após o ministro autorizar buscas contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, que publicou informações sobre suposto uso irregular de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino. A investigação identificou uma das fontes do jornalista, o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim, que também foi alvo de buscas.
Uma fonte diplomática afirmou que eventual nova sanção a Moraes vai na mesma direção da pauta da direita de atacar o STF. O diplomata também apontou que a regulamentação das big techs no Brasil explica parte da rejeição americana, já que o Brasil é o segundo maior mercado dessas empresas. Esse conjunto de regras foi consolidado em junho de 2026, quando o STF encerrou os recursos sobre o tema e estabeleceu o chamado "dever de cuidado", derrubando a exigência anterior de ordem judicial para remoção de conteúdos criminosos.
Fonte: CNN




