
Os mosquitos existem há mais de 200 milhões de anos e sobreviveram até à extinção dos dinossauros, quando um meteoro atingiu a Península de Yucatán, no México, há 66 milhões de anos. Eles são considerados os animais mais perigosos para os seres humanos no planeta. A razão está na biologia das fêmeas: elas precisam sugar sangue pra obter proteínas e produzir ovos. Ao fazer isso em várias pessoas, transmitem doenças de uma pra outra.
O Aedes aegypti chegou às Américas nos porões dos navios negreiros a partir do século 16, causando epidemias de febre amarela e malária. Hoje ele está presente em 150 países, inclusive em regiões com invernos mais frios, como o Sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. O aquecimento global é apontado como responsável por essa expansão, tornando essas áreas mais favoráveis à reprodução dos mosquitos.
Em 2024, a dengue bateu recorde mundial com 14 milhões de casos relatados à OMS e 12 mil mortes. A malária chegou a 282 milhões de casos e 610 mil mortes no mesmo ano, após leve queda seguida de novo crescimento a partir de 2015. A chikungunya emergiu em mais de cem países nos últimos 20 anos, com surtos na China, Itália e França, e matou 46 pessoas em Cuba no ano passado.
O Aedes albopictus, parente próximo do Aedes aegypti, invadiu Portugal, França e Grécia entre junho de 2025 e abril de 2026, transmitindo dengue e chikungunya. Viagens aéreas, comércio internacional, urbanização e mudanças climáticas estão entre os fatores que ajudam esses insetos a se espalharem. Uma revisão recente apontou que 12 espécies de mosquitos-vetores invadiram novas regiões das Américas, Ásia, Europa e Oceania desde o ano 2000.
Fonte: Drauzio Varella




