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Notícias/SAÚDE17/08/2026· KF News

Excesso de telas à noite prejudica o sono e o desempenho escolar dos adolescentes

Para muitos adolescentes, apagar a luz não significa desligar o celular. Notificações chegam, vídeos se sucedem e as redes sociais ficam abertas até a madrugada. Esse hábito foi tema de debate no Congress on Brain, Behavior and Emotions 2026, realizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

O neurologista Diogo Haddad, chefe do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, afirma que o sono é provavelmente uma das áreas em que os efeitos do uso excessivo de telas aparecem de forma mais consistente. Ele explica que o problema vai além da chamada luz azul: redes sociais, vídeos curtos, jogos e mensagens mantêm o cérebro em estado de alerta quando ele deveria desacelerar. "Muitas vezes, o mais importante é que a tela prolonga o estado de alerta e simplesmente ocupa o tempo que deveria ser destinado ao sono", disse o médico.

Na adolescência, há ainda uma tendência fisiológica natural de dormir e acordar mais tarde. Quando o uso das telas avança pela noite e a escola exige acordar cedo, o resultado pode ser privação crônica de sono. As consequências aparecem no dia seguinte: sonolência, irritabilidade, dificuldade de concentração e queda no desempenho escolar.

Um estudo realizado em duas escolas públicas de Seattle, nos Estados Unidos, e publicado na revista Science Advances, mostrou que atrasar o início das aulas de 7h50 para 8h45 fez os adolescentes dormirem, em média, 34 minutos a mais por noite. A pesquisa também identificou aumento de 4,5% nas notas e, em uma das escolas, melhora na frequência e na pontualidade dos alunos. Os dados foram apresentados no congresso pela neurologista Dalva Poyares, doutora e livre-docente em neurociências pela Unifesp.

Haddad alerta ainda que não existe um número de horas universalmente seguro para todos os adolescentes. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda de 2 a 3 horas diárias de telas para uso recreativo para jovens de 11 a 18 anos, sem passar a noite conectado. O médico recomenda que os pais avaliem não só quanto tempo o filho fica no celular, mas o que faz nesse período, em que horário usa os dispositivos e o que essa atividade está substituindo.

Fonte: Drauzio Varella