
Os Estados Unidos suspenderam o agendamento de entrevistas para vistos de imigrantes em todo o mundo. A medida afeta também os brasileiros que buscam residência permanente no país. O especialista em Direito Internacional Daniel Toledo explicou, em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (26), que a legislação americana e o direito internacional dão ao país o poder exclusivo de conceder ou negar autorizações de entrada. Para quem já tinha entrevista marcada, Toledo foi categórico: "O único recurso que a pessoa tem é Deus." Ele reforçou que o visto não é uma garantia, mas uma expectativa de direito de entrada. Então, mesmo quem comprou passagem e organizou a vida em torno do agendamento não tem como contestar o cancelamento na Justiça. "Não tem muito o que fazer. Cabe exclusivamente ao Departamento de Estado determinar quando, se e como ele fará a seleção dessas pessoas. Cabe a ele também negar o visto para qualquer pessoa, sem qualquer explicação", afirmou. A recomendação do especialista é acompanhar as informações diretamente no site oficial do DHS, o Departamento de Segurança Interna dos EUA. Toledo disse não ter visto nenhuma lista de exceções publicada até o momento, nem mesmo para casos de reunificação familiar, como cônjuges de cidadãos americanos. Com base em situações anteriores semelhantes, pedidos com solicitação de prioridade por dependência física, emocional ou financeira de um cidadão americano não estavam sendo concedidos. O Departamento de Estado informou que lançou um programa global de treinamento em todas as embaixadas e consulados americanos, para ajudar funcionários a identificar solicitantes que poderiam se tornar dependentes do Estado. O departamento, porém, não divulgou detalhes sobre o conteúdo ou o prazo desse treinamento. A suspensão não afeta vistos de turista — vale só para vistos de imigrantes, destinados a quem busca residência permanente. Estimativas do Instituto Brookings apontam que, em 2025, os EUA registraram pela primeira vez um saldo negativo de entrada de imigrantes, com mais gente saindo do que entrando no país, algo que não acontecia há cerca de 50 anos. A projeção é de uma perda de aproximadamente US$ 1,9 trilhão em bens e serviços até 2028, por causa da redução da mão de obra.
Fonte: CNN




