
Em 13 anos, entre 2013 e 2026, a Superintendência Regional do Trabalho em Minas Gerais resgatou 5.651 pessoas que estavam em situação de trabalho análogo ao de escravo. No total, 1.042 empresas foram fiscalizadas e 43.806 trabalhadores passaram por inspeção. Nesse período, 4.566 pessoas tiveram seus contratos formalizados durante a própria fiscalização, enquanto 7.731 casos de trabalho análogo à escravidão foram identificados. Os auditores lavraram 10.665 autos de infração, o que resultou no pagamento de seguro-desemprego para 5.475 trabalhadores. Apenas em 2026, 416 pessoas foram resgatadas.
Além do trabalho escravo, no mesmo período foram libertadas 3.676 pessoas vítimas de tráfico de pessoas. O auditor-fiscal Rogério Lopes da Costa Reis explicou que o tráfico acontece quando alguém é atraído com promessas falsas — como boas condições de trabalho e moradia — e chega ao local para encontrar uma realidade completamente diferente, acumulando dívidas com o contratante.
As empresas autuadas pagam multas administrativas que incluem falta de registro, ausência de equipamentos de proteção, falta de banheiro e de água. A multa específica pela caracterização de trabalho escravo, no entanto, não chega a R$ 500, segundo o auditor. Empresas condenadas também têm o nome incluído por dois anos na lista nacional de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, o que gera restrições com instituições financeiras.
As fiscalizações são sempre realizadas com proteção policial. Costa Reis lembrou a Chacina de Unaí, ocorrida em 28 de janeiro de 2004, quando três auditores-fiscais do trabalho e um motorista do Ministério do Trabalho foram assassinados em uma emboscada na zona rural de Unaí, em Minas Gerais, durante uma operação de combate ao trabalho escravo. Minas Gerais foi o primeiro estado do Brasil a ter uma equipe específica de combate ao trabalho análogo ao de escravo, o que aconteceu a partir de 2013.
Fonte: Agencia Brasil




