
Um levantamento feito pelo Metrópoles com dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostra que apenas dez municípios de Minas Gerais concentraram 74% dos R$ 3,6 bilhões arrecadados com royalties da mineração no estado em 2025. Conceição do Mato Dentro lidera o ranking, seguida por Congonhas, Nova Lima, Mariana e Itabira.
O minério de ferro dominou a arrecadação, gerando R$ 3,09 bilhões, o equivalente a 86,44% de toda a CFEM arrecadada em Minas. A Vale foi a empresa que mais pagou royalties: R$ 1,54 bilhão, representando 43,22% do total — ou seja, quase R$ 4 de cada R$ 10 pagos no estado saíram da companhia.
No geral, 528 cidades tiveram mineração com arrecadação registrada, envolvendo 1.591 empresas e 2.331 áreas de mineração. Além do ferro, o ouro gerou R$ 268,7 milhões (7,53%), o fosfato R$ 66,3 milhões (1,86%) e o calcário R$ 44,9 milhões (1,26%).
Em Conceição do Mato Dentro, a dependência da mineração é alta: a receita da exploração mineral equivaleu a 35,57% de toda a receita do município em 2025, e cerca de 84% das transferências públicas recebidas vieram da CFEM. Em 2025, o Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG) suspendeu o licenciamento para a ampliação de uma barragem de rejeitos da Anglo American no município, porque o projeto colocaria famílias da comunidade de São José do Arrudas dentro da Zona de Autossalvamento — área onde não haveria tempo suficiente para escapar em caso de rompimento. Atualmente, 28 barragens em Minas estão em situação de alerta ou emergência: seis em alerta e 22 em emergência, sendo uma no nível 3, o mais grave.
Fonte: Metropoles




