
A defesa do ex-secretário de Estado do Maranhão Raimundo Cutrim entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal para afastar o ministro Flávio Dino da relatoria do caso que o envolve. O advogado José Berilo de Freitas Leite Filho argumenta que Dino está em conflito de interesse direto: ele é relator de um inquérito em que chegou a pedir a prisão de Cutrim, enquanto, ao mesmo tempo, é apontado como vítima em outro inquérito no STF que também tem Cutrim como investigado.
No primeiro caso, sob relatoria de Dino, Cutrim é suspeito de ter tentado atrapalhar as investigações sobre o assassinato de um empresário maranhense envolvido em um esquema de propina com o governo do Maranhão. O episódio ocorreu em 2022 e ficou conhecido como caso Tech Office.
No segundo inquérito, cujo relator é o ministro Alexandre de Moraes, Cutrim é apontado como a fonte do jornalista Luís Pablo, que teria revelado o uso irregular de veículos funcionais por familiares de Flávio Dino. Nesse caso, Moraes determinou a quebra do sigilo da fonte do jornalista e autorizou busca e apreensão contra Cutrim.
A defesa afirma ainda que existe um "clima de animosidade" entre Dino e Cutrim, e aponta viés político nas decisões. Segundo José Berilo, os dois já foram aliados no Maranhão. Cutrim fez parte do grupo político formado por Dino e Carlos Brandão, que governaram o estado juntos entre 2015 e 2022. O rompimento entre os grupos veio depois, segundo fontes consultadas pelo Metrópoles, por desentendimentos envolvendo cargos e acordos políticos, e se consolidou quando Brandão decidiu lançar o próprio sobrinho, Orleans Brandão, como seu sucessor no governo do Maranhão.
Fonte: Metropoles




