
Um estudo publicado na revista Science Advances, em 21 de agosto, testou um composto experimental chamado TOFA em camundongos obesos e os resultados chamaram a atenção da comunidade científica. Em quatro semanas, os animais perderam em média 18% do peso corporal, sem reduzir a quantidade de comida ingerida e sem aumentar a atividade física. A maior parte da perda veio da gordura, enquanto músculos e outros tecidos foram preservados.
O que torna o TOFA diferente dos remédios atuais é que ele não age no apetite. Em vez disso, aumenta o gasto de energia do organismo. O composto já era conhecido em pesquisas de laboratório, mas seu efeito sobre o metabolismo da gordura não havia sido explorado dessa forma. Segundo os pesquisadores, ele atua em dois processos ao mesmo tempo: reduz a produção de nova gordura e aumenta a capacidade das células de absorver e usar gordura como fonte de energia. Quando os cientistas tentaram reproduzir os resultados com as duas abordagens separadas, o efeito não foi o mesmo.
Além da perda de peso, os animais apresentaram melhora em marcadores metabólicos importantes: os níveis de açúcar e de insulina no sangue caíram, e eles passaram a responder melhor à glicose. Houve também redução de gordura no fígado e no sangue, com menos sinais de inflamação e de cicatrização relacionados à doença hepática gordurosa. Outro dado relevante foi que os animais não recuperaram rapidamente o peso após o fim do tratamento, sugerindo um efeito mais duradouro.
O estudo também testou o TOFA combinado com semaglutida e tirzepatida, remédios que reduzem o apetite. A combinação levou a uma perda de peso maior do que cada tratamento isolado, já que atuam de formas complementares. Enquanto esses remédios diminuem a ingestão de energia, o TOFA faz o corpo gastar mais.
Apesar dos resultados, o composto ainda não foi testado em humanos. Não se sabe qual seria a dose segura nem os possíveis efeitos colaterais. Os experimentos foram feitos apenas com camundongos machos, o que limita a comparação com outros grupos. Ainda serão necessários estudos para avaliar segurança e eficácia antes de qualquer uso clínico.
Fonte: Metropoles - Saúde




