
O Comitê de Clientes do Litígio de Mariana rompeu o contrato com o escritório Pogust Goodhead e indicou o Bailey Glasser International para assumir a condução do processo contra a BHP nos tribunais ingleses. O escritório Hausfeld & Co LLP vai prestar apoio em Londres. A mudança acontece em uma fase decisiva do que é hoje a maior ação coletiva ambiental da história dos tribunais ingleses, com cerca de 420 mil reclamantes e indenizações estimadas na casa dos bilhões.
O Comitê é formado por indivíduos, empresas, instituições religiosas e representantes de comunidades indígenas e quilombolas das regiões afetadas. Municípios, autarquias e algumas empresas com contratos específicos não fazem parte do grupo e não são afetados pela decisão. O comunicado oficial do Comitê afirma que a troca de escritório não é incomum em processos dessa duração na Inglaterra e que as condições de representação dos reclamantes não mudam. Os clientes só pagarão honorários se o processo for ganho.
A tragédia de Mariana aconteceu em 5 de novembro de 2015, quando a barragem de rejeitos de Fundão, em Minas Gerais, rompeu e liberou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de lama tóxica. A barragem era operada pela Samarco, joint venture entre Vale e BHP. A lama matou 19 pessoas, percorreu cerca de 650 quilômetros pela bacia do rio Doce e chegou ao litoral do Espírito Santo. As comunidades de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo foram soterradas. O desastre é considerado o pior acidente ambiental da história do Brasil.
A ação contra a BHP foi ajuizada em 2018. Em novembro de 2025, o Tribunal Superior de Londres reconheceu a responsabilidade da empresa pelo desastre. A juíza Finola O'Farrell afirmou que a BHP, como acionista controladora da Samarco, tinha responsabilidade desde decisões estratégicas até questões operacionais. A BHP tentou recorrer, mas a Corte de Apelação negou a autorização em maio de 2026. O processo agora está na fase de apuração dos danos, com julgamento previsto entre abril de 2027 e março de 2028.
Fonte: Metropoles




