
Gelson Merísio, candidato ao governo de Santa Catarina apoiado pelo presidente Lula, fez uma autodoação de R$ 1 milhão para a própria campanha e passou a liderar o ranking desse tipo de financiamento entre os candidatos nas eleições de 2026. A contribuição foi registrada na prestação de contas eleitoral.
O ponto que mais chama atenção é que Merísio declarou ao Tribunal Superior Eleitoral um patrimônio de R$ 652.953,78 em bens — valor inferior ao que ele destinou à campanha. Entre os bens declarados estão um imóvel residencial em São Paulo avaliado em R$ 430 mil, participação em empresa, aplicações financeiras e depósitos. A legislação eleitoral permite que candidatos usem recursos próprios no financiamento de campanhas dentro das regras da Justiça Eleitoral.
Empresário e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Merísio construiu carreira na centro-direita e declarou voto em Jair Bolsonaro em 2018. Naquele ano, disputou o governo catarinense, liderou o primeiro turno, mas perdeu no segundo para Carlos Moisés. Hoje, o candidato afirma se identificar com a centro-esquerda, embora reconheça a trajetória anterior.
A estratégia de Lula é usar o perfil mais moderado de Merísio para ampliar presença em Santa Catarina, um dos principais redutos do bolsonarismo. Em 2022, Lula recebeu apenas 29,54% dos votos no estado no primeiro turno. A chapa tem Angela Albino do PDT como candidata a vice e reúne partidos de esquerda e centro-esquerda. O lançamento oficial ocorreu em São Bernardo do Campo, no mesmo evento que marcou o início da campanha de Lula à reeleição.
Na disputa, Merísio enfrenta o atual governador Jorginho Mello do PL e o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues do PSD, dois nomes fortes da direita no estado. A aposta do candidato é justamente na fragmentação do eleitorado de direita e no seu perfil político moderado para tentar conquistar votos além da base tradicional do PT.
Fonte: Metropoles




