
O cacau está se expandindo forte na Amazônia brasileira. Um novo mapeamento territorial mostrou que a cultura já ocupa mais de 121 mil hectares no Pará e em Rondônia, e o avanço está acontecendo principalmente em cima de pastagens, vegetação secundária e outras áreas que já tinham sido alteradas — não em floresta nativa.
O estudo atualizou os dados do Pará para 2024, sendo que o levantamento anterior era de 2022, e fez o primeiro mapeamento completo de Rondônia. Para isso, foram usados satélites, radar, imagens de alta resolução, inteligência computacional e visitas de campo em dez municípios.
O Pará lidera a produção com 116.436 hectares distribuídos em 61 municípios, um crescimento de 33,26% em dois anos, com acréscimo de mais de 29 mil hectares. Do total expandido, 63% foram plantios a pleno sol e 37% em Sistemas Agroflorestais. Medicilândia lidera a área plantada no estado, com 35.203 hectares.
Rondônia tem 5.340 hectares em 51 municípios, com 62% do cacau cultivado em Sistemas Agroflorestais. Jaru lidera com 832 hectares. O estado tem produtividade média acima de 1.250 kg por hectare, uma das mais altas do Brasil.
Dados do IBGE mostram que a região Norte responde por cerca de 50% da produção nacional, com aproximadamente 148 mil toneladas, num total brasileiro de 297 mil toneladas. O Pará sozinho representa 46% do cacau produzido no país.
O pesquisador Adriano Venturieri, da Embrapa Amazônia Oriental, destaca que a cacauicultura tem papel estratégico por recuperar solos degradados e gerar renda para famílias rurais. O mapeamento também ajuda produtores a comprovar a origem do cacau para atender ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento, o EUDR. Os resultados serão apresentados na ExpoCacau 2026, em 26 de agosto, em Ilhéus, na Bahia.
Fonte: Portal Agroneg.




