
O Brasil propôs a criação de um pacto estratégico com os países árabes para garantir mais previsibilidade no fornecimento de fertilizantes e alimentos. A iniciativa foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, realizado nesta terça-feira, dia 25, em São Paulo, pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
A proposta parte de uma complementaridade clara: o Brasil é uma potência na produção e exportação de alimentos, como grãos, carnes e açúcar, enquanto os países árabes têm forte presença no mercado internacional de fertilizantes, insumos indispensáveis para a agricultura brasileira. "A segurança alimentar é uma via de mão dupla", afirmou Vieira, ressaltando que a produção agrícola depende de uma cadeia de suprimentos confiável do início ao fim.
O contexto que motivou a proposta é de alerta. Os conflitos no Oriente Médio e a instabilidade nas rotas marítimas já elevam custos de frete, encarecem seguros, provocam desvios de embarcações e comprometem prazos de entrega. Esses problemas afetam tanto a importação brasileira de fertilizantes quanto a exportação de alimentos para o mundo árabe.
Além do pacto de fertilizantes e alimentos, Vieira defendeu a criação de corredores marítimos para integrar América Latina, países árabes, África e Ásia, ampliando rotas e reduzindo vulnerabilidades logísticas. O ministro também propôs mecanismos comuns de financiamento e destacou o Pix como exemplo de digitalização econômica bem-sucedida, defendendo que esse processo preserve a governança e a integridade das transações. Na área de energia, Brasil e países árabes foram apontados como parceiros complementares para avançar na transição energética e nos minerais críticos.
Fonte: Portal Agroneg.




