
Em 2024, o Brasil produziu 493.989 embriões bovinos in vitro e alcançou a segunda posição no ranking mundial. Os dados estão em relatório divulgado em 2025 pela International Embryo Technology Society (IETS) e mostram o tamanho da estrutura que o país construiu nas áreas de reprodução e genética bovina.
A biotecnologia aplicada à pecuária combina duas ferramentas poderosas: a produção in vitro de embriões, conhecida como PIVE, e os marcadores moleculares, que identificam variações diretamente no DNA dos animais. Com isso, é possível descobrir o potencial produtivo de um animal ainda nas fases iniciais de desenvolvimento, antes que características como ganho de peso, fertilidade, produção de leite ou qualidade de carcaça apareçam de forma visível.
Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para diagnóstico molecular, afirma que rebanhos geneticamente superiores apresentam maior eficiência alimentar, melhor desempenho produtivo, qualidade diferenciada de carne e leite e maior resistência a certas doenças.
A PIVE permite que uma fêmea de alto valor genético gere muito mais descendentes do que pelos métodos convencionais. Já os marcadores moleculares ajudam a identificar quais embriões têm maior potencial antes mesmo de serem transferidos para as receptoras. Juntas, as duas tecnologias reúnem velocidade de multiplicação e precisão na seleção.
Entre as características que podem ser analisadas nos programas de seleção estão fertilidade, ganho de peso, eficiência alimentar, produção de leite, qualidade de carne e carcaça, longevidade, adaptação ao ambiente e resistência a doenças. Para Tatiani, a integração entre as tecnologias pode gerar ganhos consistentes em produtividade, sustentabilidade e rentabilidade para toda a cadeia pecuária. Com uma das maiores populações bovinas do mundo, o Brasil encontra na biotecnologia uma forma de elevar a competitividade sem depender exclusivamente da expansão de área.
Fonte: Portal Agroneg.




