
Produtores rurais brasileiros estão apostando na conservação da natureza para melhorar a produtividade, reduzir custos e proteger as propriedades contra secas, chuvas intensas e outros eventos climáticos extremos. Práticas como sistemas agroflorestais, plantio direto, cobertura permanente do solo, recuperação de nascentes e corredores ecológicos ganham cada vez mais espaço no campo. Essas iniciativas são chamadas de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) e conciliam produção agrícola, conservação da biodiversidade, segurança hídrica e geração de renda.
O mercado financeiro já está de olho nesse movimento. Um estudo elaborado pela Capital for Climate em parceria com a Deloitte Brasil mostra que fundos de private equity e venture capital voltados às SBN trabalham com meta média de retorno de 21,4% em cerca de dez anos. Nos instrumentos de crédito e dívida, a projeção média é de 12%, com prazo de seis anos. Os compromissos dos investidores podem alcançar US$ 10,4 bilhões entre 2025 e 2027, e a projeção sobe para US$ 18,8 bilhões até 2030. Mais de US$ 2,1 bilhões já foram aplicados em projetos de conservação e produção sustentável no país. A pesquisa ouviu 34 organizações investidoras e 32 desenvolvedores de projetos. Os investimentos estão concentrados principalmente na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica.
No campo, os resultados são concretos. Em São José dos Pinhais, no Paraná, a agricultora Luciane Zielinski Grupinzaki cultiva hortaliças em seis hectares e adotou o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças. Segundo ela, o sistema praticamente eliminou a erosão, reduziu pragas e doenças e proporcionou queda de aproximadamente 50% nos custos com mão de obra e insumos. O produtor Leonardo Sena, após enfrentar uma seca severa em 2019 na Bacia do Rio Miringuava, implantou um sistema agroflorestal que combina árvores, lavouras e biodiversidade, recuperando o equilíbrio hídrico sem interromper a produção. Já a produtora Alexandra Leschnhak integrou agricultura, turismo rural e educação ambiental no Rancho Caminho das Águas, diversificando a renda e demonstrando na prática como as soluções naturais podem resolver problemas humanos.
Fonte: Portal Agroneg.




