
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, enviou um ofício ao desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, pedindo que o tribunal tome providências para corrigir uma ilegalidade e responsabilize os envolvidos, inclusive no campo criminal.
O caso veio à tona com uma reportagem do Metrópoles, na coluna de Demétrio Vecchioli, publicada às 14h16 deste sábado, 5 de setembro. A matéria revelou que o candidato Deltan Dallagnol, do partido Novo, candidato ao Senado pelo Paraná, juntou ao seu registro de candidatura documentos com dados fiscais e bancários sigilosos de Zanin, da esposa dele, do sogro, de uma cunhada e do escritório de advocacia no qual ele era sócio antes de se tornar ministro.
Esses documentos foram obtidos pela Lava Jato quando Zanin ainda era advogado do ex-presidente Lula, em decisão do ministro Marcelo Bretas, que a Segunda Turma do STF depois anulou. Zanin havia aberto uma representação contra Deltan e outros procuradores no Conselho Nacional do Ministério Público, e os relatórios da Receita Federal foram juntados àquele processo pelos procuradores. Agora, Deltan usou esses mesmos processos sigilosos do CNMP para se defender de um pedido de impugnação de sua candidatura feito pela coligação que envolve o PT no Paraná.
Só depois da publicação da reportagem é que a relatora Vanessa Jamus Marchi determinou que todos os documentos fossem classificados com urgência como segredo de Justiça. Mas às 15h12 a decisão ainda não tinha sido cumprida integralmente.
A defesa de Deltan, em nota, afirmou que as informações foram apresentadas de forma integral e transparente, e que os dados são essenciais para a decisão da Justiça Eleitoral sobre a elegibilidade do candidato. A coluna questionou por que os advogados não pediram sigilo para os documentos dentro do processo, mas não obteve resposta.
Fonte: Metropoles




