
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master, afirmou em proposta de delação premiada que a doação de R$ 5 milhões feita em 2022 para as campanhas do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e do ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, era propina. Segundo ele, foram R$ 2 milhões para Tarcísio e R$ 3 milhões para Bolsonaro. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também investigado na Operação Compliance Zero, foi o maior doador dos dois políticos naquele ano.
De acordo com o ex-banqueiro, o dinheiro representava uma contrapartida por um acordo com Gilberto Kassab, presidente do PSD e ex-secretário de Governo na gestão Tarcísio, para garantir a continuidade do Credcesta — principal ativo do Master — no governo de São Paulo. Vorcaro contou ainda que o pagamento seria feito inicialmente em dinheiro vivo, mas que Kassab ou seus interlocutores teriam informado ao sócio Augusto Lima que os partidos parceiros só aceitariam doações oficiais.
A tentativa de delação foi revelada pelo UOL na quinta-feira (3/7) e já foi negada três vezes pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, sob a justificativa de ausência de fatos novos. O depoimento de Vorcaro ocorreu em 27 de agosto, na penitenciária da Papudinha, e foi conduzido pelo juiz auxiliar João Azambuja, do gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Kassab negou qualquer relação com Vorcaro e chamou o relato de "absolutamente fantasioso". A assessoria de Tarcísio informou que a campanha contou com mais de 600 doadores, foi aprovada pela Justiça Eleitoral e que o governador não tinha vínculo com o doador citado. Augusto Lima não se manifestou.
Fonte: Metropoles




