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Notícias/SAÚDE19/08/2026· KF News

Vacinas do SUS podem prevenir câncer de colo do útero e de fígado, alertam especialistas

Dois cânceres muito sérios têm algo em comum: eles podem ser evitados com vacina. O câncer de colo do útero está associado ao papilomavírus humano, o HPV. Já o câncer de fígado — chamado de carcinoma hepatocelular — está ligado ao vírus da hepatite B. E as vacinas contra esses dois vírus estão disponíveis de graça pelo SUS.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 10% dos casos de câncer no mundo podem estar associados a infecções prolongadas por vírus ou bactérias. O HPV, além do câncer cervical, também está ligado a tumores no canal anal, na vulva, na vagina, no pênis e na garganta.

A oncologista Letícia Leis, especializada em câncer ginecológico da Oncologia D'Or de São Paulo, reforça que os imunizantes são seguros, altamente eficazes e fazem parte do Calendário Nacional de Vacinação do SUS. Já Gabrielle Scattolin, oncologista da Rede Américas e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, alerta que há um crescimento nos diagnósticos de câncer cervical, especialmente em locais com menor cobertura vacinal.

Um estudo brasileiro publicado em 2025 analisou dados de jovens de 20 a 24 anos entre 2019 e 2023. Os resultados mostraram que a vacina reduziu em 58% os casos de câncer cervical e em 67% as lesões pré-cancerosas graves. Os tipos 16 e 18 do HPV respondem por cerca de 70% das incidências desse câncer.

No SUS, desde 2014, a vacina contra HPV é oferecida em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com resgate para não vacinados de 15 a 19 anos. Pessoas imunodeprimidas têm direito até os 45 anos. Na rede privada, está disponível dos 9 aos 45 anos. Em 2024, o SUS incluiu o teste de DNA-HPV oncogênico como novo método de rastreamento, que em 2025 passou a ser o método primário, mas sem substituir o Papanicolau.

Para o câncer de fígado, o Instituto Nacional de Câncer estima 12.350 novos casos por ano no Brasil no triênio 2026–2028, atingindo principalmente homens e pessoas com idade mediana de 68 anos. A vacina contra hepatite B é gratuita para todas as idades no SUS. Recém-nascidos tomam a primeira dose nas primeiras 12 horas de vida. Gabrielle ainda lembra que, além das vacinas, existem antivirais que podem reduzir a progressão da hepatite e a incidência do câncer de fígado.

Fonte: Metropoles