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Notícias/TECNOLOGIA06/09/2026· KF News

USP desenvolve gelatina balística no padrão FBI para perícia policial e uso médico

Pesquisadores das Faculdades de Odontologia e de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, desenvolveram uma gelatina balística nacional que reproduz os tecidos moles do corpo humano. O material é usado em reconstruções de cenas de crime, para identificar a trajetória de projéteis e testar diferentes tipos de munição — funções que, até então, dependiam de um produto importado dos Estados Unidos, com custo elevado.

O projeto começou na pesquisa de mestrado de Lucas Messiano, orientado pelo professor João Paulo Mardegan Issa, da Faculdade de Odontologia da USP. Segundo Issa, a iniciativa veio do seu conhecimento em biomateriais e do alto custo de importação. Os primeiros testes foram realizados em 2020, mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia.

A primeira versão do produto, com concentração a 10%, atende ao padrão do FBI e simula tecidos de baixa densidade, como o pulmão. A segunda versão, a 20%, foi desenvolvida durante o doutorado de Messiano e imita tecidos mais densos, como o muscular.

As aplicações vão além da segurança pública. Na medicina, o material ajuda a dimensionar o dano de um ferimento para definir o melhor tratamento. No direito, permite estimar se houve excesso de força em uma ocorrência. Na perícia, é possível saber se um projétil atravessou alguma barreira — como lataria ou madeira — antes de atingir uma pessoa.

A patente ainda está em desenvolvimento. O professor Issa informou que já recebeu contato de grupos internacionais, incluindo pessoas de Minnesota, além de aceleradoras e startups interessadas em saber se a tecnologia já estava disponível no Brasil. A equipe busca novos aportes financeiros para escalar a fabricação e levar o produto a hospitais e delegacias.

Fonte: Poder360