
A União Europeia está preparando uma mudança drástica nas regras para aceitar produtos agrícolas vindos de outros países. A proposta é reduzir ao mínimo técnico detectável os resíduos de agrotóxicos não aprovados pelo bloco, o que na prática cria uma política de tolerância zero para substâncias classificadas como mais perigosas.
O Brasil é um dos países mais expostos a essa mudança. No último ano, o país exportou mais de 18 bilhões de euros em produtos agrícolas para a Europa. Um estudo do Joint Research Centre, órgão científico ligado à Comissão Europeia, apontou que 52,8% das exportações brasileiras dos produtos afetados têm a União Europeia como destino.
O levantamento simulou três cenários. No mais severo, sem adaptação dos exportadores, as importações agrícolas da Europa cairiam 41%. As frutas cítricas teriam retração de 92% e a soja, 90%. Para o consumidor europeu, os preços do café subiriam 332%, o farelo de soja 105% e os cítricos 85%. Os custos com ração animal subiriam 87%, com impacto de queda de 5,8% na produção de carne suína e 5,4% na de aves.
Num cenário intermediário, com adaptação parcial, as importações recuariam 8% e os preços subiriam de forma mais moderada. Já com adaptação ampla, a queda nas importações seria de apenas 0,4%, mas os custos de produção nos países exportadores podem subir entre 20% e 40%.
Um grupo de 19 países produtores, incluindo Brasil, Argentina, Estados Unidos, Canadá e Austrália, levou a questão à Organização Mundial do Comércio, argumentando que a medida ignora avaliações científicas de risco e pode distorcer o comércio mundial. O debate ocorre ao mesmo tempo em que as negociações do acordo entre União Europeia e Mercosul seguem em andamento, o que pode limitar parte dos benefícios esperados pelo agronegócio brasileiro mesmo se o tratado for implementado.
Fonte: Portal Agroneg.




