
A briga entre UEFA e FIFA não começou agora. É uma rivalidade estrutural, com raízes fincadas em interesses comerciais, políticos e de poder, e o momento atual é só o capítulo mais inflamado de uma disputa que se arrasta há anos.
O estopim mais recente foi o plano da FIFA de criar uma empresa comercial e vender participação em competições, incluindo o Mundial, a investidores privados. A UEFA não gostou nada disso. Chamou a proposta de um "acordo medíocre, nos bastidores e opaco" e acusou a FIFA de usar o esporte "para enriquecer a si mesma e seus amigos". Além disso, a entidade europeia critica a sobrecarga do calendário, as expansões de competições e o que chama de descumprimento de promessas de transparência. Para a UEFA, a FIFA está vendendo a alma do jogo em nome de receita rápida.
A FIFA, por sua vez, rebate dizendo que a oposição europeia é protecionista e egoísta. Na visão da entidade, a UEFA só quer preservar o domínio econômico da Champions League e das grandes ligas, resistindo à redistribuição de riqueza e influência para o resto do mundo. A FIFA ainda chama de hipócrita a crítica europeia sobre o calendário, já que a própria Champions foi expandida, e afirma que houve um "esforço concentrado" para minar a organização por meios não democráticos.
O que os dois têm em comum é bastante: os dois expandem competições e enchem o calendário quando convém. Os dois falam em desenvolvimento do futebol e proteção dos jogadores, mas seus modelos de negócio colidem. A UEFA vive da força econômica do futebol de clubes europeu; a FIFA precisa de mais receitas globais e do apoio das confederações fora da Europa. O resultado é uma disputa permanente por espaço, dinheiro e narrativa. Não há vilão absoluto nem herói puro, só instituições poderosas, dirigentes ambiciosos e uma indústria bilionária onde o futebol muitas vezes é o meio, não o fim.
Fonte: Jovem Pan




