
O Tribunal Superior Eleitoral fechou temporariamente o sistema de registro de filiações partidárias. Segundo apuração do Poder360, integrantes do TSE consideram o sistema atual muito vulnerável. O problema é que os partidos usam apenas uma senha para acessar a plataforma, sem verificação em duas etapas. Essa senha pode ser compartilhada com quem o partido quiser, o que abre brecha para que qualquer pessoa com acesso cadastre filiações sem controle.
O caso que acelerou a decisão foi o do senador Flávio Bolsonaro, do PL. No dia 12 de agosto, alguém vinculado ao partido Missão utilizou o sistema de forma indevida e registrou o nome do senador como filiado à legenda, sem que ele tivesse autorizado. O TSE declarou que não houve invasão de sistema, mas que a ferramenta foi usada de forma irregular.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, agiu no dia 13 de agosto: determinou o restabelecimento imediato da filiação de Flávio ao PL, com efeitos desde 30 de novembro de 2021. Nunes Marques considerou "incompatível" a ideia de que Flávio teria mudado de partido voluntariamente, levando em conta sua candidatura pelo PL e o fato de o Missão já ter Renan Santos como candidato à Presidência. O ministro também mandou preservar os registros de acesso ao sistema e encaminhou o caso à Polícia Federal para investigar possível fraude.
Algo parecido quase aconteceu com o presidente Lula. Segundo o presidente do DC, João Caldas, em entrevista ao jornal O Globo, alguém preencheu uma ficha de filiação no site do partido com dados reais de Lula, incluindo data de nascimento, RG e CPF. A tentativa foi identificada pela legenda antes de ser enviada à Justiça Eleitoral. O DC disse não saber quem foi o responsável.
O TSE já havia tentado propor um sistema mais rígido no passado, mas os partidos nunca aceitaram. Agora, um novo modelo deve ser debatido com as legendas, mas a mudança deve demorar para ser implementada, pois o país está em período eleitoral.
Fonte: Poder360




