
O mercado brasileiro de trigo está com baixa movimentação. A demanda fraca por farinha e o ritmo menor de moagem estão dificultando os negócios em todo o país. No Rio Grande do Sul, vendedores pedem cerca de R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto compradores aceitam pagar até R$ 1.320 — e essa diferença vem travando os fechamentos. As últimas operações registradas foram a R$ 1.300 para embarque em agosto e R$ 1.320 para setembro, envolvendo trigo não segregado. Para produto segregado, os valores são maiores.
Para complementar o abastecimento, um carregamento de aproximadamente 31 mil toneladas de trigo argentino chegou ao Rio Grande do Sul, cotado a US$ 290 por tonelada CIF Canoas. Em Santa Catarina, a falta de oferta local faz os moinhos recorrerem ao trigo gaúcho, com preços entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada. Em Canoinhas, a cotação avançou para R$ 72 por saca.
No Paraná, os preços da nova safra estão próximos de R$ 1.450 por tonelada em setembro e R$ 1.400 em novembro. O mercado paranaense também acompanha com preocupação a redução da área cultivada e o risco de chuvas durante a colheita, o que pode aumentar a dependência de importações. Para a nova safra no geral, cerca de 60 mil toneladas já foram negociadas, mas as divergências de preço entre vendedores e compradores limitam os negócios antecipados.
No cenário internacional, o trigo disparou na Bolsa de Chicago na quarta-feira (19). O contrato para setembro fechou a US$ 6,80¼ por bushel, alta de 2,37%, e o vencimento dezembro encerrou a US$ 6,97½, avanço de 2,38%. O principal motivo foi a interrupção dos embarques pelo Mar Negro, causada pelos ataques entre Rússia e Ucrânia a estruturas de transporte e logística de grãos. As exportações agrícolas da Ucrânia somaram cerca de 794 mil toneladas entre 1º e 15 de agosto, ante 3,67 milhões de toneladas em todo o mês de julho. Ataques também afetaram áreas próximas de Novorossiysk, importante centro russo de exportação de grãos.
Fonte: Portal Agroneg.




