
A taxa de abstenção entre os eleitores com deficiência, os PcDs, é 12% maior do que a do público geral no Brasil. Os dados foram levantados pelo R7 Planalto a partir do painel de informações do TSE, o Tribunal Superior Eleitoral. Em 2020, quase quatro em cada dez eleitores com deficiência não compareceram para votar. Desde 2012, esse índice de abstenção nesse grupo se mantém entre 28% e 34%. O cenário se agrava quando se olha para a representação: apenas 1,3% dos candidatos eleitos nos últimos pleitos tinham alguma deficiência. Sem representantes ligados à causa, os PcDs ficam sem apoio para a criação de políticas públicas e leis que possam mudar sua realidade. A advogada Adriana Monteiro, especialista em direito eleitoral e direito das pessoas com deficiência, avalia que o problema é estrutural e vai além do desinteresse político. Ela afirma que os dados do TSE mostram "barreiras concretas de acesso ao exercício da cidadania". Entre as dificuldades que ela aponta estão: falta de acessibilidade física nos locais de votação, problemas de mobilidade urbana, ausência de recursos adequados para pessoas com deficiência visual e insuficiência de políticas públicas voltadas à inclusão eleitoral.
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