
A soja fechou em forte queda na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira (3). Os contratos mais negociados recuavam entre 11 e 14,75 pontos por volta das 7h50, no horário de Brasília. O vencimento de novembro foi cotado a US$ 12,99 por bushel e o de março operava próximo de US$ 13,19. A baixa acontece depois de uma valorização acumulada recente e mistura três fatores: realização de lucros, pressão técnica e mudança na percepção dos riscos de oferta no mercado internacional.
O movimento puxou todo o complexo de grãos para baixo. O milho perdeu mais de 11 pontos e o trigo liderou as quedas, com recuo próximo de 30 pontos nos principais contratos. Café, açúcar e algodão também operavam em forte baixa na Bolsa de Nova York. O óleo de soja caiu mais de 1,5% e o farelo também recuou, aumentando ainda mais a pressão sobre o grão, já que esses derivados influenciam diretamente as margens das indústrias processadoras.
Declarações do presidente russo Vladimir Putin sobre possibilidade de acordo de paz com a Ucrânia pesaram especialmente sobre o trigo, a commodity mais exposta aos riscos do Mar Negro. A sinalização diplomática levou parte dos investidores a retirar posições de proteção. Segundo informações atribuídas à Reuters, importadores asiáticos compraram ao menos 500 mil toneladas de trigo da Austrália e da Argentina para compensar atrasos de cargas ligadas à região em conflito.
No Brasil, o mercado físico fechou com preços divididos. No Rio Grande do Sul, a soja foi indicada a R$ 160 por saca no porto de Rio Grande, e a R$ 138 em Não-Me-Toque e Nonoai. A Emater/RS-Ascar projeta plantio de 6,645 milhões de hectares no estado para a safra 2026/27, redução de 0,92% na comparação anual, mas com produção estimada em 21,151 milhões de toneladas, alta de 15,32%. O excesso de umidade, com relatos de alagamentos em lavouras de trigo e canola, preocupa e pode interferir na janela de plantio da soja gaúcha.
Em Santa Catarina, os preços de balcão ficaram estáveis, mas em Abelardo Luz a referência FOB chegou a R$ 157 por saca. No Paraná, o porto de Paranaguá valorizou 0,28%, com a soja negociada a R$ 159 por saca, enquanto em Castro a cotação caiu 1,32%, para R$ 149. Em Mato Grosso, Tangará da Serra subiu 5,26%, a R$ 140 por saca, e Campo Novo do Parecis avançou 5,34%, a R$ 138. Mesmo com o fim do vazio sanitário previsto para 6 de setembro, os produtores aguardam chuvas regulares antes de iniciar o plantio. Em Mato Grosso do Sul, a sessão foi mais fraca, com quedas nas principais praças, e a ocupação elevada dos silos pode dificultar o recebimento da próxima safra.
Fonte: Portal Agroneg.




