
Pablo Silva Santiago, servidor público federal lotado no Ministério da Cultura, continuou recebendo salário normalmente enquanto estava preso. Ele foi detido em maio do ano passado acusado de filmar mulheres nuas sem consentimento e trocar os vídeos por conteúdo de necrofilia em sites e grupos no Telegram. Segundo o Portal de Transparência do Governo Federal, só em 2025 Pablo recebeu cerca de R$ 34,7 mil até junho, sendo R$ 7,7 mil somente no mês de junho, já com gratificação natalina. Não há dados públicos sobre o período de maio a dezembro de 2024. O Ministério da Cultura informou que abriu procedimento interno e chegou a afastar o servidor após as denúncias, mas não respondeu ao Metrópoles sobre a situação atual dele. No início deste mês, o STJ concedeu habeas corpus a Pablo. O ministro Reynaldo Soares da Fonseca revogou a prisão preventiva e impôs medidas cautelares, incluindo acompanhamento psiquiátrico e psicológico e proibição de se aproximar das vítimas. O entendimento foi de que manter Pablo preso seria desproporcional, já que a pena máxima prevista para o crime é de 1 ano — tempo já cumprido em prisão preventiva. O caso foi denunciado à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher em 2025. Uma amiga de Pablo acessou o computador dele e encontrou milhares de fotos e vídeos de diversas mulheres, organizados por nome e data, com registros desde 2017. As gravações foram feitas em casas onde ele morou, no banheiro do salão da tia, e na casa de amigos. Havia ainda um HD externo com mais conteúdos, inclusive imagens da própria amiga, feitas sem seu consentimento. Pablo responde pelo crime de registro não autorizado da intimidade sexual em contexto de violência doméstica. O processo corre em segredo de Justiça.
Fonte: Metropoles




