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Notícias/SAÚDE25/08/2026· KF News

Remédios emagrecedores ilegais do Paraguai chegam sem refrigeração e podem causar doenças graves

As chamadas "canetas do Paraguai" viraram febre no Brasil, mas os riscos são sérios. Especialistas e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia alertam que esses emagrecedores ilegais podem causar pancreatite, hepatites, hipoglicemia severa, alergias, complicações digestivas, desidratação e até morte. O único remédio à base de tirzepatida autorizado pela Anvisa no Brasil é o Mounjaro.

Um dos maiores problemas está na conservação. O remédio precisa ser mantido entre 2° e 8°, mas as ampolas chegam do Paraguai sem qualquer refrigeração, escondidas em solas de tênis, pneus e motores de veículos. Fontes ouvidas pela CNN confirmam que altas temperaturas destroem ou anulam a molécula do medicamento. O uso prolongado do produto mal conservado pode fazer o corpo criar resistência ao fármaco e até desencadear doenças autoimunes. Para quem usa o remédio para tratar diabetes tipo 2, o risco é voltar a ter complicações mesmo sob tratamento.

Nos grupos de WhatsApp, contrabandistas divulgam que os remédios podem ser "ativados" com quatro horas de geladeira após o transporte em qualquer temperatura. Especialistas negam que isso funcione.

O Centro de Informações e Assistência Toxicológicas da Unicamp, o CIATox, fez testes com tirzepatidas paraguaias e confirmou a presença do princípio ativo, mas não foi possível avaliar equivalência com o produto liberado, pois não foram analisados impurezas, contaminantes, esterilidade nem metais pesados.

A Receita Federal registrou apreensões que chegaram a R$ 47,3 milhões entre janeiro e maio de 2025, valor 20 vezes maior que o registrado no mesmo período de 2024, quando foram apreendidos R$ 2,3 milhões. O contrabando de emagrecedores é crime contra a saúde pública e pode resultar em pena de 10 a 15 anos de prisão.

Fonte: CNN