
A metformina, um dos remédios mais usados no mundo para tratar diabetes tipo 2, pode agir no corpo além do controle do açúcar no sangue. Uma revisão científica publicada em 10 de agosto de 2026 na revista Aging analisou como o medicamento interfere em processos ligados ao envelhecimento das células.
O remédio é considerado de primeira linha no tratamento da diabetes tipo 2 e faz parte da lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde, a OMS.
Segundo os autores da revisão, a metformina ativa uma enzima chamada AMPK, responsável pelo equilíbrio de energia dentro das células. Essa ativação contribui para baixar a glicose no sangue e também gera outros efeitos: reduz o estresse oxidativo, melhora a resposta à insulina e estimula a autofagia, que é o processo pelo qual a célula faz uma espécie de limpeza, descartando componentes danificados.
A revisão também descreve a inibição de uma proteína chamada mTOR, ligada ao crescimento celular. Em modelos experimentais com animais, essa combinação de efeitos foi associada a maior longevidade. Em vermes, níveis mais altos de AMPK foram ligados a maior tempo de vida, enquanto a ausência da enzima reduziu a sobrevida em camundongos.
Em humanos, os dados ainda são limitados. Um estudo de 2022 com 32 pacientes com diabetes tipo 2 encontrou indícios de envelhecimento biológico mais lento entre usuários de metformina, com diferença estimada entre 2,7 e 3,4 anos. Os próprios autores alertam, no entanto, que esse tipo de análise não permite afirmar causa e efeito.
A revisão também aponta que a metformina pode influenciar mudanças epigenéticas, que regulam a atividade dos genes, ao estabilizar uma enzima chamada TET2, ligada à manutenção da integridade do DNA ao longo do tempo. Outro ponto destacado são os efeitos sobre o microbioma intestinal: alterações nas bactérias do intestino foram associadas à redução da inflamação e à melhora de parâmetros metabólicos. Em animais com dieta rica em gordura, o uso do remédio esteve ligado à menor progressão de tumores.
Para pessoas sem diabetes, ainda não há evidência suficiente sobre os efeitos da metformina no envelhecimento. Um ensaio clínico chamado TAME está em planejamento e deve acompanhar cerca de 3 mil participantes em 14 centros de pesquisa nos Estados Unidos, avaliando ao longo de vários anos se o medicamento pode influenciar o desenvolvimento de doenças relacionadas à idade.
Fonte: Metropoles - Saúde




