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Notícias/AGRONEGÓCIO04/09/2026· KF News

Preço do trigo segue firme no Sul do Brasil mesmo com forte queda nas cotações de Chicago

O mercado de trigo no Brasil e no exterior segue em direções opostas. Enquanto os preços se mantêm firmes no Sul do país por causa da pouca oferta disponível, as cotações despencaram na Bolsa de Mercadorias de Chicago após o presidente russo Vladimir Putin sinalizar a possibilidade de um acordo de paz para encerrar o conflito na Ucrânia.

No Rio Grande do Sul, as negociações ficaram entre R$ 1.450 e R$ 1.500 por tonelada FOB, dependendo da qualidade e da localização da mercadoria. Um lote de 3 mil toneladas foi comercializado pelo menor valor desse intervalo. A estimativa é de que apenas entre 60 mil e 70 mil toneladas ainda estejam disponíveis fora dos estoques dos moinhos. Como parte das indústrias ainda vai precisar comprar matéria-prima antes da nova colheita chegar, a oferta restrita segue sustentando o mercado. O trigo argentino colocado em Canoas aparece com custo próximo de R$ 1.586 por tonelada, referência que também ajuda a segurar os preços domésticos.

No Paraná, os negócios também ficaram firmes. No Norte do estado, foram registradas vendas a R$ 1.500 por tonelada FOB. Nos Campos Gerais, as cotações ficaram próximas de R$ 1.450 por tonelada. Para a safra nova, as indicações chegam a R$ 1.500 por tonelada para setembro, mas recuam para cerca de R$ 1.400 por tonelada nos contratos com entrega prevista para novembro, refletindo a expectativa de mais oferta com o avanço da colheita.

Em Santa Catarina, o mercado está lento. Os moinhos aparecem relativamente abastecidos e a comercialização de farinha está fraca. As referências para trigo de panificação variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, com trigo branqueador negociado a R$ 1.500 por tonelada FOB. No mercado de balcão, as maiores cotações chegaram a R$ 77 por saca em Xanxerê.

Outro fator que preocupa é a giberela nas lavouras gaúchas. Áreas que floresceram após vários dias de alta umidade apresentaram a doença, que pode reduzir a produtividade e comprometer a qualidade industrial do cereal, além de aumentar o risco de presença da micotoxina DON nos grãos.

Em Chicago, o contrato de dezembro do trigo encerrou a US$ 7,5425 por bushel, queda de 19,75 centavos, equivalente a 2,55%. O contrato de março de 2027 fechou a US$ 7,70 por bushel, com perda de 2,62%. Antes da queda, o trigo havia acumulado valorização de cerca de 21% só em agosto, com o contrato de referência chegando a US$ 7,95 por bushel na quarta-feira, maior cotação desde fevereiro de 2023.

No comércio internacional, os efeitos das tensões já aparecem nos números. A Ucrânia exportou 1,2 milhão de toneladas de grãos e oleaginosas em agosto, menos da metade das 2,5 milhões de toneladas embarcadas em julho. A Rússia exportou 1,3 milhão de toneladas, volume 3,8 vezes inferior ao de agosto de 2025, segundo a União Russa de Grãos. O número de países compradores do trigo russo caiu de 43 para apenas 16 no mesmo período. O mercado também acompanha uma licitação da Arábia Saudita para a compra de 535 mil toneladas de trigo, com entregas previstas para novembro e dezembro.

Fonte: Portal Agroneg.