
A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, dia 1º. O resultado veio acima das expectativas do mercado, que giravam entre 0,3% e 0,4%, mas mesmo assim confirma um processo de desaceleração da atividade econômica no país.
Para Juliana Trece, economista e coordenadora de contas nacionais do FGV Ibre, o número deixa claro esse movimento. Ela destacou que, ao olhar a composição do PIB, a desaceleração fica bastante evidente. Um dos pontos que mais chamou atenção foi a retração do consumo das famílias no segundo trimestre, componente que representa cerca de 60% do PIB brasileiro. Segundo a economista, esse recuo mostra que as condições financeiras podem estar afetando diretamente o bolso das pessoas.
Setores como agropecuária e indústria extrativa ainda apresentaram desempenho positivo, por serem menos sensíveis aos juros altos. Já indústria de transformação, construção civil e consumo das famílias demonstram sinais de enfraquecimento.
Sobre a taxa Selic, Juliana Trece disse que o Banco Central vai considerar não só o PIB, mas também as expectativas de inflação — incluindo riscos como os impactos do El Niño nos alimentos e a alta do preço do petróleo — antes de definir o ritmo dos cortes de juros.
O consumo do governo cresceu 3,1% em 12 meses, ante 0,5% do consumo das famílias no mesmo período. A economista lembrou que, por ser 2026 um ano eleitoral, gastos públicos podem estar amortecendo parte da desaceleração. Nas exportações, o crescimento foi de 8%, puxado por petróleo e soja. As importações subiram 2,1%, influenciadas por veículos elétricos. No setor de serviços, informação e comunicação avançou 7,5%.
Fonte: CNN




