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Notícias/POLÍTICA04/09/2026· KF News

PF diz que Mendonça sugeriu benefício ilegal a empresário investigado no caso do INSS

A Polícia Federal afirmou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sugeriu a concessão de um benefício que não está previsto em lei ao empresário Maurício Camisotti, durante as negociações de um acordo de colaboração premiada. A informação consta em um relatório de 50 páginas cujo sigilo foi levantado pelo ministro Alexandre de Moraes na quinta-feira, 3 de setembro de 2026.

Segundo o documento, a negociação travou porque a Procuradoria-Geral da República considerou desproporcional a redução de dois terços da pena proposta pela PF. O relatório registra que Mendonça teria defendido a possibilidade de conceder benefícios fora do que a lei permite. A PF classificou como "alta" a confiança de que o benefício seria ilegal, mas considerou "moderada" a confiança sobre o teor exato do que Mendonça disse. O próprio relatório ressalta que documentos de inteligência trabalham com hipóteses e graus de confiança e não têm valor de prova.

Moraes utilizou o material para apontar "fortes indícios" de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça, e pediu providências ao presidente do STF, Edson Fachin. Fachin abriu um procedimento e deu 5 dias úteis para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues prestassem informações.

Camisotti é apontado como um dos principais operadores das fraudes investigadas na Operação Sem Desconto. Ele foi preso em setembro de 2025 e assinou acordo de colaboração premiada em abril de 2026, comprometendo-se a devolver cerca de R$ 400 milhões. O prejuízo estimado das fraudes no INSS é de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. O relatório da PF também analisa a atuação de Mendonça nas operações "Compliance Zero", que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master.

Fonte: Poder360