
Pessoas que sofrem com depressão ou ansiedade podem encontrar nos animais de estimação um apoio emocional real, mas esse apoio não substitui a terapia, o psiquiatra ou os medicamentos. É o que explica a psicóloga Mariana Ramos, professora da Afya Centro Universitário Itaperuna.
Segundo ela, o simples ato de fazer carinho num cão ou gato com quem se tem vínculo de segurança gera reações diretas no cérebro e no corpo. O contato físico reduz o hormônio do estresse e libera substâncias que geram sensação de afeto e bem-estar. A especialista cita ainda pesquisas que apontam alterações na frequência cardíaca e na pressão arterial durante esse contato.
Durante crises de ansiedade, quando a mente fica presa em cenários futuros e catastróficos, a respiração e a temperatura do animal funcionam como uma âncora para o momento presente. "Às vezes, quando a mente está longe demais, o corpo de outro ser vivo nos lembra onde estamos", afirma Mariana.
No caso da depressão, as obrigações diárias com o pet — dar ração, trocar água, abrir a porta para passear — criam uma rotina que ajuda a quebrar o ciclo de imobilidade. Os passeios ainda garantem movimento, sol e interações sociais leves, como conversas rápidas com vizinhos focadas no animal, sem peso para quem está adoecido.
Por outro lado, a psicóloga alerta para o perigo de romantizar a adoção. Sem condições financeiras, rede de apoio e tempo, as demandas do pet podem virar gatilho de culpa e hipervigilância. "Aquilo que deveria reduzir a ansiedade pode tornar-se uma nova fonte de preocupação", alerta Ramos. A conclusão dela é clara: "Um animal pode participar do processo de cuidado, mas não deve carregar a responsabilidade de curar alguém."
Fonte: Metropoles




