
O Tribunal Superior Eleitoral recebeu cerca de 20.500 registros de candidaturas para as eleições de 2026, para os cinco cargos em disputa, além de vices e suplentes. Esse número é 8.700 menor do que o registrado em 2022, uma queda expressiva que, segundo o cientista político Celso Fernandes, da Associação Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP), não pode ser interpretada automaticamente como desinteresse do cidadão pela política.
Fernandes aponta medidas que contribuíram para a redução: a limitação do número de registros por partido para deputados federais, estaduais e distritais, em vigor desde 2021; a cláusula de barreira, que exige dos partidos um mínimo de eleitos ou de votos para acessar o fundo partidário, em vigor desde 2017; e a criação das federações partidárias, também desde 2021.
O candidato típico de 2026 é homem (65%), branco (48,7%), casado (50%) e com ensino superior completo (58,5%). Entre os eleitores, só 17% fizeram faculdade, e um terço destes não terminou o curso. Já entre os candidatos, 69% chegaram à universidade e 85% deles concluíram. Os diplomados representam quase 60% dos postulantes, contra menos de 12% entre os eleitores.
A faixa etária predominante nos candidatos fica entre 45 e 54 anos. O grupo de eleitores com 60 anos ou mais já representa 23,6% do eleitorado, superando os jovens de até 30 anos, que somam 21,55%.
As profissões mais declaradas são empresário (12,5%) e advogado (8,2%), mas há também manicures, garis, motoboys, pescadores, eletricistas, agricultores familiares e influenciadores digitais entre os postulantes. Candidatos que já exercem mandato podem declarar o cargo como profissão: 4,3% se identificaram como deputados e 3,9% como vereadores.
Em termos raciais, pardos (36,2%) e pretos (13,6%) somam 49,9% dos registros — quase empatando com os 48,7% de candidatos brancos. Indígenas somam 0,93% e amarelos, 0,52%. O sociólogo Hector Vieira, professor do Ibmec Brasília, alerta que crescer no registro não significa crescer na competitividade. Em 2022, homens brancos eram 3,3% dos candidatos a deputado federal e concentravam 17,8% dos recursos de campanha — cinco vezes acima de sua proporção numérica.
Fernandes conclui que o sucesso eleitoral e os espaços de poder no Brasil ainda pertencem ao homem branco, e que a elite eleitoral continua sendo muito mais escolarizada do que o conjunto da população.
Fonte: Jovem Pan




