
Os ataques ucranianos com drones marítimos e aéreos estão causando interrupções graves nas exportações russas pelo mar Negro. O principal alvo é Novorossiysk, considerado o maior porto comercial da Rússia e um dos maiores da Europa, por onde passa até um terço de todas as exportações russas de grãos. O porto também escoa petróleo bruto, metais e mercadorias em contêineres.
Em agosto, os terminais de grãos foram sendo fechados um após o outro. A Fábrica de Produtos Panificados de Novorossiysk (NKHP) e o terminal de grãos local interromperam as operações em 12 de agosto. No dia seguinte, a KSK, um dos maiores terminais de grãos em águas profundas do país, também suspendeu as atividades. Um terminal em Taman já havia parado no fim de julho. Até a publicação da matéria, apenas o terminal de Tuapse, o menor para escoamento de grãos em águas profundas, continuava funcionando.
Andrei Sisov, diretor da consultoria agrícola SovEcon, afirmou que "praticamente todas as exportações russas de grãos pela bacia do mar de Azov e do mar Negro estão bloqueadas". Ele ainda estimou que "muitos produtores russos não sobreviverão a esta temporada, especialmente após vários anos de deterioração das condições financeiras". A Argus Media, empresa especializada em mercados globais de energia e commodities, aponta que a Rússia pode ter 45 milhões de toneladas de trigo disponíveis para exportar entre 2026 e 2027, mas o bloqueio no mar Negro, por onde passam cerca de 90% dos embarques, torna o abastecimento do mercado global quase impossível.
As exportações de petróleo também foram afetadas. O terminal de Sheskharis, responsável pelo embarque de cerca de 700 mil barris de petróleo bruto por dia, parou os carregamentos em 14 de agosto e só retomou dois dias depois. Segundo o Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA), sediado em Helsinque, o porto de Novorossiysk embarcou 30% menos petróleo nas duas primeiras semanas de agosto em comparação com o mesmo período do ano passado. Isaac Levi, analista do CREA, disse que "os ataques contra embarcações desestimularam os navios a atracar em portos considerados alvos prioritários". As exportações ucranianas de grãos também caíram, já que a Rússia intensificou ataques contra portos ucranianos no mesmo período.
Fonte: Poder360




