
O COB, Comitê Olímpico Brasileiro, entrou em campo para tentar barrar um trecho da PEC da Segurança Pública que, na avaliação da entidade, pode retirar cerca de R$ 530 milhões do orçamento do esporte no Brasil. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e prevê que 30% da arrecadação das bets — depois do pagamento de prêmios, impostos e despesas das operadoras — deixem de ir para o CNCE, Conselho Nacional dos Comitês Esportivos, e passem a ser destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional. Entre as entidades que compõem o CNCE estão o próprio COB e o CPB, Comitê Paralímpico Brasileiro.
O presidente do COB, Marco La Porta, afirmou que o impacto direto ao comitê pode chegar a R$ 40 milhões, valor equivalente ao necessário para realizar os Jogos da Juventude, que em suas fases iniciais envolvem cerca de 2 milhões de jovens no Brasil.
Para tentar mudar o texto, o COB enviou uma comitiva a Brasília. Na segunda-feira (31), os representantes se reuniram com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. O grupo ainda espera encontro com o relator do texto no Senado, Rogério Carvalho, do PT de Sergipe. Três senadores já apresentaram emendas para proteger o esporte: Leila do Vôlei (PDT-DF) propôs que o dinheiro saia do montante reservado às próprias casas de apostas; Damares Alves (Republicanos-DF) e Humberto Costa (PT-PE) sugeriram a supressão do trecho que permite o uso de recursos do esporte.
O ex-atleta e diretor-geral do COB, Emanuel Rego, ouro olímpico em Atenas 2004 pelo vôlei de praia, também integra a comitiva. Ele alertou que a retirada do dinheiro no meio do ciclo olímpico vai prejudicar diretamente a preparação do Brasil para os Jogos de Los Angeles, em 2028. Marco La Porta reforçou que o COB não é contra a PEC da Segurança Pública, mas questiona que o financiamento da segurança venha da retirada de recursos do esporte.
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