
Depois de cinco anos de pesquisa, cientistas da Monash University, na Austrália, publicaram na revista Nature o maior estudo já realizado sobre os efeitos da psilocibina no cérebro humano. Os resultados foram divulgados na quarta-feira, dia 19 de agosto.
O estudo acompanhou 62 adultos saudáveis que usaram uma dose considerada conservadora do alucinógeno. Durante o efeito da substância, os participantes foram submetidos a exames de imagem em quatro situações diferentes: repouso, meditação, assistindo a um filme e ouvindo música.
O que os pesquisadores encontraram foi algo que eles descrevem como uma ordem dentro da disrupção causada pela psilocibina. As redes cerebrais que ajudam a processar o mundo interior e exterior ficaram menos separadas entre si, mas se reorganizaram em padrões que refletiam a experiência de cada participante naquele momento.
"Sob o efeito da psilocibina, as redes cerebrais que nos ajudam a processar o mundo interior e o mundo ao nosso redor tornaram-se menos distintas, mas se reorganizaram em padrões que refletiam as experiências vividas pelas pessoas", explicou Devon Stoliker, autor principal do estudo, em comunicado à imprensa.
Os participantes que tiveram maior reorganização das ondas cerebrais também relataram mudanças psicológicas mais positivas no dia seguinte ao uso. Com base nisso, os cientistas acreditam que esses dados podem ajudar a criar terapias para pacientes que precisam de claridade mental, novas perspectivas e flexibilidade psicológica.
O professor Adeel Razi, que também participou da pesquisa, destacou que, se aplicado a pacientes, o conhecimento gerado pelo estudo poderia ajudar os médicos a entender como cada pessoa está respondendo ao tratamento e a prever quem tem maior probabilidade de se beneficiar.
Fonte: Metropoles - Saúde




