
A empresária Roberta Luchsinger enviou uma minuta de contrato para Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, propondo a venda de 1,2 milhão de frascos de canabidiol ao Ministério da Saúde por R$ 626 milhões. O documento, acessado pelo jornal O Globo, foi revelado nesta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, em reportagem dos jornalistas Eduardo Gonçalves e Sarah Teófilo.
O negócio foi articulado sem licitação e envolvia 36 tipos de medicamentos à base de canabidiol. Quem idealizou o esquema foi o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que já é investigado por suspeita de integrar um esquema de desvios de aposentadorias e pensões no INSS. A Polícia Federal encontrou o documento nos celulares de Luchsinger e de Antunes.
A suspeita dos investigadores é que Luchsinger foi contratada pelo Careca do INSS para viabilizar o negócio com a ajuda de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. O Supremo Tribunal Federal investiga possíveis irregularidades na atuação dos três junto ao governo federal.
Um áudio obtido na investigação mostra Luchsinger e Antunes discutindo a possibilidade de fechar o contrato com dispensa de licitação, usando como argumento a nova lei de licitações e um cenário de emergência. Mensagens de WhatsApp de fevereiro de 2025 mostram Antunes pedindo à equipe um modelo de contrato já usado pelo Ministério da Saúde. A PF apurou ainda que Antunes viajou aos Estados Unidos e à Colômbia em busca de fornecedores do produto.
O Ministério da Saúde negou qualquer negociação, afirmando que o canabidiol nem está incorporado ao SUS e que a pasta não compra nem fornece o produto. Marcola disse a interlocutores que receber o arquivo foi "inadequado", mas negou qualquer favorecimento. A defesa de Lulinha disse que vai se manifestar somente após acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo.
Fonte: Poder360




