
A grife francesa Louis Vuitton virou alvo de boicote entre os chineses depois de vencer uma disputa judicial contra a marca de chá Molly Tea. O caso gira em torno de direitos autorais: a Molly Tea foi condenada por usar um símbolo de trevo de quatro folhas muito semelhante ao da Louis Vuitton.
A decisão foi do Tribunal Popular Intermediário de Suzhou, que reconheceu a violação de sete marcas registradas da grife francesa. A Molly Tea recorreu, mas não conseguiu reverter o resultado. A condenação incluiu o pagamento de 10,3 milhões de yuans — equivalente a 1,5 milhão de dólares — ao grupo LVMH, dono da Louis Vuitton, além da obrigação de parar de usar o símbolo e publicar declarações de reparação nos perfis oficiais da marca.
A reação do público chinês foi intensa. Nas redes sociais, hashtags como "LV, ninguém está do seu lado" e "Molly Tea perdeu o processo, mas ganhou o coração do público" se espalharam rapidamente, com postagens acumulando mais de 30 milhões de visualizações. Internautas passaram a chamar as bolsas da Louis Vuitton de "necessaires" e "bolsas de higiene pessoal", dizendo que vão preferir a Gucci como alternativa.
O argumento central dos internautas é que o símbolo do trevo de quatro folhas tem raízes na arte e na arquitetura chinesas. Porém, a própria Louis Vuitton já afirmou que o símbolo tem origem no movimento Art Nouveau, que surgiu na Europa no século 19 — período em que a grife foi criada — e que valorizava as artes japonesa e asiática, numa tendência conhecida como japonismo. Perfis nas redes chegaram a publicar fotos das bolsas da Louis Vuitton ao lado de janelas e construções chinesas, mostrando a semelhança visual. Até agora, não há dados concretos sobre o impacto do boicote no faturamento das marcas.
Fonte: Metropoles




