
O mercado global de commodities agrícolas começa a apresentar sinais de recuperação depois de um período marcado por safras grandes, preços pressionados e margens reduzidas para os produtores. A possível combinação entre menor produção nos Estados Unidos, avanço do La Niña e aumento das tensões geopolíticas pode mudar o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos ciclos.
As primeiras projeções para a safra norte-americana indicam queda na produção, especialmente de milho. Se essa redução se confirmar, os estoques globais ficam mais apertados e as cotações no mercado internacional podem reagir. O La Niña também entra nessa equação: o fenômeno pode interferir no regime de chuvas na América do Sul e aumentar os riscos para as lavouras do Brasil e da Argentina, dois dos maiores produtores e exportadores de grãos do mundo. Qualquer ameaça climática a essas regiões tende a provocar mais volatilidade nas bolsas internacionais.
Para Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, o mercado ainda absorve os efeitos de anos com preços baixos. Segundo ele, a redução da rentabilidade atingiu produtores brasileiros e estrangeiros, limitando investimentos em tecnologia, insumos e infraestrutura. Esse movimento pode reduzir a capacidade de expansão da oferta e já começa a influenciar as cotações, na avaliação do executivo.
A alta do petróleo também pressiona o setor, encarecendo transporte, fertilizantes, armazenagem e frete marítimo. Esse custo maior, porém, nem sempre chega como ganho ao produtor, sendo absorvido pelas despesas logísticas. No Brasil, a oscilação do dólar ligada ao ambiente político e eleitoral adiciona mais um risco, já que as commodities são negociadas em moeda americana.
Ainda assim, a demanda global segue aquecida. Preços mais competitivos nos últimos meses mantiveram as compras dos principais países importadores. Castelli recomenda ao produtor fazer vendas graduais, proteger os custos e construir uma média de preços ao longo do tempo, sem concentrar toda a produção em uma única operação, até que os fatores de oferta e clima estejam mais claros.
Fonte: Portal Agroneg.




